Tarifa por fração: cobrar a cada 15 ou 30 minutos sem dar de graça nem exagerar
A tarifa por fração cobra por blocos de tempo iguais: a cada 15, 30, 45 ou 60 minutos, a um preço fixo por bloco. É a tarifa de "R$ 6 a cada meia hora" ou "R$ 3 o quarto de hora", e existe porque cobrar a hora cheia de quem ficou doze minutos gera mais discussão que dinheiro.
O que quase ninguém sabe é que existem três formas diferentes de cobrar por fração, e as três dão números diferentes para o mesmo carro. Escolher a que combina com o seu negócio é a diferença entre um guichê que funciona sozinho e um manobrista negociando cada saída.
O problema: a hora cheia por doze minutos
Um cliente entra, resolve uma coisa, sai em doze minutos. Na tarifa por hora ele paga a hora inteira. O cliente acha injusto — e é — então reclama; o manobrista cede "só esta vez", e esse desconto de olho vira costume. No fim do mês o dono não sabe quanto foi dado de graça, porque nunca ficou registrado como desconto: ficou registrado como uma cobrança menor.
O outro extremo é igualmente ruim: cobrar o minuto exato num estacionamento de rotatividade enche o caixa de moedas e faz de cada saída uma conta diferente.
A fração é o meio: blocos iguais, preço conhecido, e uma regra que o cliente entende antes de entrar.
Quais são os três modos de fração?
Os três usam o mesmo tamanho de bloco (digamos 30 minutos), e mudam quando a conta começa e o que acontece quando o carro passa de meia hora dentro de uma hora:
| Modo | A regra | Para quem |
|---|---|---|
| Desde o minuto zero | A cada 30 minutos, R$ 6, desde que entra | Quem quer uma regra só, sem exceção |
| Depois da primeira hora | A primeira hora custa R$ 10; a partir daí, a cada 30 minutos R$ 5 | Quem já cobra uma primeira hora e quer ajustar o resto |
| Fração que vira hora cheia | Naquela hora: 30 minutos ou menos custa R$ 6; se passar, a hora cheia a R$ 8 | Quem quer premiar a visita curta e cobrar a hora de quem fica |
Como se cobra em cada modo?
Com bloco de 30 minutos. Estes números saem do motor de cobrança, não de uma estimativa:
| O carro fica | Desde o minuto 0 (R$ 6 a cada 30 min) | Depois da 1ª hora (R$ 10 + R$ 5 a cada 30 min) | Vira hora cheia (R$ 6 fração / R$ 8 hora) |
|---|---|---|---|
| 10 minutos | R$ 6 | R$ 10 | R$ 6 |
| 25 minutos | R$ 6 | R$ 10 | R$ 6 |
| 30 minutos | R$ 6 | R$ 10 | R$ 6 |
| 31 minutos | R$ 12 | R$ 10 | R$ 8 |
| 45 minutos | R$ 12 | R$ 10 | R$ 8 |
| 1 hora | R$ 12 | R$ 10 | R$ 8 |
| 1 h 20 | R$ 18 | R$ 15 | R$ 14 |
| 1 h 35 | R$ 24 | R$ 20 | R$ 16 |
| 2 h 10 | R$ 30 | R$ 25 | R$ 22 |
| 2 h 45 | R$ 36 | R$ 30 | R$ 24 |
| 8 horas | R$ 96 | R$ 80 | R$ 64 |
Olhe a linha dos 31 minutos: é onde os três modos se separam. E olhe a das 8 horas: o mesmo bloco de 30 minutos, três preços que se afastam 50%.
Qual modo me serve?
Desde o minuto zero se o seu estacionamento é de pura rotatividade e você quer uma regra que o manobrista nunca precise explicar: "a cada meia hora, R$ 6". É a mais limpa e a menos discutida. O custo é que sobe rápido para quem fica o dia inteiro — se isso acontece direto, coloque um teto máximo por dia.
Depois da primeira hora se você já tem um preço de primeira hora que o pessoal conhece e não quer mudar. Sobe mais devagar e a placa continua dizendo o que dizia.
Vira hora cheia se você quer cobrar pouco de quem vem por dez minutos mas a hora inteira de quem fica: a fração é um desconto para a visita curta, não uma nova unidade de cobrança. É o modo mais suave com a permanência longa (8 horas: R$ 64 contra R$ 96).
E os minutos de cortesia?
Combinam, e mudam a conta de um jeito que vale a pena ver.
Com 15 minutos de cortesia e frações de 30 minutos a R$ 6 desde o minuto zero:
| Fica | Paga |
|---|---|
| 10 minutos | R$ 0 — está dentro da cortesia |
| 25 minutos | R$ 6 |
| 31 minutos | R$ 6 (sem cortesia seriam R$ 12) |
| 45 minutos | R$ 6 |
| 1 hora | R$ 12 |
| 2 horas | R$ 24 |
A cortesia é descontada uma vez só, no começo, e isso empurra todas as fronteiras 15 minutos para frente. Por isso o sistema exige que a cortesia seja menor que a fração: com 30 minutos de cortesia e blocos de 30, o primeiro bloco seria sempre grátis e a tarifa deixaria de fazer sentido.
Quais tamanhos de bloco posso usar?
15, 30, 45 ou 60 minutos. O de 60 é um caso curioso: dá exatamente o mesmo que a cobrança por hora, porque é o mesmo cálculo com outro nome. Se a sua placa diz "por hora" e você quer continuar igual, não precisa de fração.
Os tamanhos mais usados são 30 (meia hora) e 15 (quarto de hora). O de 15 é o mais comum em zonas de alta rotatividade e áreas de carga e descarga.
Para quem é?
Zonas de alta rotatividade: bancos, clínicas, repartições
O cliente vem resolver algo de vinte minutos. Cobrar uma hora é perdê-lo; cobrar uma fração é uma cobrança justa que ninguém discute.
Áreas de carga e descarga
Quinze minutos são quinze minutos. A fração de 15 é a unidade natural do negócio.
Estacionamentos de shopping
Fração que vira hora cheia: barato para quem entra rapidinho, a hora inteira para quem fica para almoçar.
Estacionamentos que já cobram "a cada meia hora" na mão
Se a placa já diz a fração e o manobrista calcula de cabeça, o modo existe justamente para isso: o sistema faz a conta e o papel explica.
Quando NÃO serve para você?
- Se o tempo não é o que você vende. Um estacionamento de evento não precisa de fração: quer tarifa fixa.
- Se você quer o preço por hora caindo conforme as horas. Isso é tarifa por faixas, não fração: a fração custa o mesmo na primeira hora e na décima.
- Se você precisa cobrar o minuto exato. Existe o modo por minuto, com valor mínimo na entrada se você não quer gente entrando só para dar a volta.
Duas coisas para levar em conta
O teto máximo por dia combina. É o par natural da fração desde o minuto zero: cobra por bloco e não passa de certo valor por dia. Sem ele, oito horas a R$ 6 a cada meia hora são R$ 96, e é aí que o cliente de longa permanência vai para outro lugar.
O ticket diz a fração. No ticket de entrada vai o tamanho do bloco e o preço, e no recibo de saída o detalhamento de quantos blocos foram cobrados. Quando alguém pergunta por que pagou o que pagou, a resposta está no papel.
Perguntas frequentes
Quais tamanhos de fração posso configurar? 15, 30, 45 ou 60 minutos. Com 60 o resultado é idêntico à cobrança por hora.
A fração é cobrada inteira mesmo se o carro sair no meio? Sim. Bloco começado é bloco cobrado: aos 31 minutos, com blocos de 30, cobram-se dois. É a regra que deixa a conta previsível.
Posso dar minutos de cortesia com fração? Sim, e precisam ser menores que a fração. A cortesia é descontada uma vez no começo, então empurra todas as fronteiras para frente.
Qual é a diferença entre fração e tarifa por faixas? A fração custa sempre o mesmo; nas faixas o preço por bloco muda conforme o tempo que o carro está dentro.
Posso colocar um teto diário na fração? Sim, e é muito recomendável se chegam carros de dia inteiro. Sem teto, oito horas se acumulam bloco por bloco.
Cada tipo de veículo pode ter a sua própria fração? Sim. Carros a cada 30 minutos e motos por hora, se for isso que faz sentido no seu estacionamento.
Resumindo
A tarifa por fração cobra por blocos iguais de 15, 30, 45 ou 60 minutos, e tem três modos que dão números bem diferentes: desde o minuto zero (a regra mais simples), depois da primeira hora (para não mexer na placa que você já tem), e fração que vira hora cheia (a mais suave com a permanência longa). Escolhido o modo, o guichê para de negociar: o preço de cada saída já está decidido.
Se o seu estacionamento cobra por meia hora ou por quarto de hora, o Parqueadero.app é grátis e a fração se configura em dois campos.
Publicado em 8 de setembro de 2026.